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  • ANDRELUIZ-AUTORALL-

NOVO TEMPO

A palavra “Repertório” tem sua origem no latim (repertorium) e indica, originalmente, o conjunto de peças que um artista ou grupo ensaia e preparara para apresentar ao público. Em sentido figurado, segundo nossos dicionários, “Repertório” remete a um conjunto de conhecimentos e/ou de habilidades de que alguém dispõe sobre um determinado tema.


Seja pelo sentido original, seja em função do sentido figurado, o termo me pareceu mais do que apropriado para ‘batizar’ este blog.


Quem me conhece sabe que eu já fiz um bocado de coisas diferentes, nessa vida. Com terno e gravata, em palcos, em salas de aula e de reunião, em estúdios de gravação e em congressos – e sou imensamente grato por ter vivido essas experiências tão diversas!


Nem sempre no ritmo ou na direção que gostaríamos, mas a vida segue seu curso, desafiando cada conhecimento e cada convicção que vamos construindo em nossas jornadas. As soluções de ontem funcionam cada vez menos (ou de forma cada vez mais limitada), hoje, diante da natureza mais e mais complexa dos problemas com os quais lidamos cotidianamente, na sociedade global em que vivemos.


“Benditas coisas que eu não sei”[1]!


Não, nós não estamos condenados ao ‘museu de grandes novidades’ de que falava o Cazuza – mas, para nos desviarmos dele, reconhecer a necessidade de ampliar e diversificar os nossos ‘repertórios’ não é mais, apenas, uma opção; é uma necessidade.


O antigo e conhecido (até porque fantasiado em memórias quase sempre imprecisas), seduz. O novo, no entanto, “sempre vem”, como já avisava o grande Belchior - e com especial impacto na voz inigualável da Elis.


Estamos vivos e, por isso mesmo, nossas histórias continuam ‘em aberto’ – e, mesmo com todos os perigos, com a força mais bruta (que tem se alastrado em mundo cheio de medos), com toda a injustiça que ainda assombra, cabe a nós fazer do tempo ainda não vivido um novo tempo, onde a nossa esperança possa ser, da fato, um caminho deixado de herança, como nos ensinaram Ivan e Vitor, em uma das canções mais belas que a nossa música popular brasileira já produziu.


O amanhã começa sempre hoje. O novo tempo começa sempre neste tempo. Agora mesmo, aliás.

[1] Trecho da letra de “Benditas”, de Zélia Duncan e Mart’nália. Você pode ouvi-la na voz da Zélia aqui: https://open.spotify.com/track/4UKmB2ghv17cRXWJweenrH?si=a2ee9bbfc4834c21


IMAGEM: Photo by <a href="https://freeimages.com/photographer/DoortenJ-43745">Jeremy Doorten</a> from <a href="https://freeimages.com">FreeImages</a>

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